MAIS UMA PANDEMIA NOS ATINGE: A QUE TRANSFORMA BRASILEIROS DE BEM EM DOENTES DO RADICALISMO

Artigo editado em: 8 de agosto de 2020

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É triste o que está acontecendo com o brasileiro, mesmo em pleno auge da assustadora pandemia que nos atinge. E não com o brasileiro comum, menos letrado, aquele que quando acorda de manhã, tem como única meta sobreviver a mais um dia. O lamentável está ocorrendo entre pessoas com bom nível de informação, melhor qualidade de vida, cabeças pensantes, gente que tem o poder de influenciar e que, muitas vezes, tem até o poder de decidir sobre a vida de milhões. O que está acontecendo com os debates acalorados, acirrados, agressivos e até que chegam ao doentio, exatamente entre esses que deveriam ter mais cuidado, mais pudor, menos ideologia – seja para que lado for – é algo perto do surreal. Homens públicos e muitos profissionais, alguns por demais respeitáveis, digladiam-se pelas redes sociais, defendendo suas ideias com unhas e dentes, como se quem pensa diferente fosse um alienígena, que chegou a esse Planeta com o único intuito de nos destruir. Médicos renomados, profissionais ilibados, cidadãos exemplares, trazem para o debate político se esse ou aquele medicamento deve ou não ser usado; se mata, se cura, se é inócuo. O lamentável e triste, tudo junto, é que a meta, como pano de fundo, não é tentar salvar vidas; pensar em ajudar quem está desesperado por perder familiares e amigos; por perder pais e mães.  O mais importante de tudo é impor sua ideologia e suas crenças, não importa a que custo. Os que defendem, por exemplo, o uso da cloroquina e outros medicamentos, são bolsonaristas descerebrados. Os que são contra, são esquerdistas, oposicionistas doentios. Não se coloca o ser humano, o doente, o afetado, o infectado pelo vírus mortal, como a essência de todas as preocupações. Quem não é governista, defende muitas vezes o que sequer sabe o que é. Os oposicionistas querem destruir, não importa se os remédios ajudem ou não. O importante é esculhambar, esculachar, avacalhar o adversário ideológico.

Os exemplos são abundantes e em todo o Brasil. Aqui em Rondônia também. Médicos competentes, que dedicam suas vidas a salvar a dos outros; que vivem em função do bem que fazem em sua profissão, defendem posições tão antagônicas, tão radicais, tão conflitantes, sobre como devemos ou não sermos tratados como vítimas da pandemia que nós, pobres mortais, ficamos como se fôssemos jogados de um lado para o outro, qual objeto de alguma brincadeira, enquanto os que podem nos salvar berram em defesa de suas ideologias; de ser a favor ou contra Bolsonaro e seu governo. Pessoas boas, decentes, que honram sua vida dedicada aos outros, estão infectados pelo vírus da raiva política, do radicalismo, do “eu estou certo e você é um idiota”, que às vezes a gente se envergonha por eles. Tomara que esse pesadelo acabe logo e que todos voltem a ser o que sempre foram: gente boa, cuidadosa, dando aos que pensam diferente, um tratamento respeitoso. Que acabem as duas pandemias: a do vírus e da transformação de personalidades em doentes do radicalismo.

CONFÚCIO: OUTRA VÍTIMA DAS REDES SOCIAIS

Por falar em redes sociais, quem sentiu na pele o que é ser vítima delas foi o ex governador e senador Confúcio Moura. Homem afável, de fala baixa, cuidadoso em não ofender ou atacar adversários, ele viveu uma experiência que, do alto dos seus 72 anos de idade e meio século de política, certamente não imaginou que ainda enfrentaria. Ele escreveu no seu blog pessoal, um texto com duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro. Criticou o Presidente pela forma como ele vem atuando no combate à pandemia e afirmou que, se pudesse “desvotar”, retiraria o voto que deu a Bolsonaro nas urnas.  Foi um texto duro, mas bem escrito, sem ofensas, como é do estilo de Confúcio. Pra que! Horas depois, ele sentiu na pele a fúria dos bolsonaristas de Rondônia, Estado, aliás, onde o Presidente obteve uma das maiores votações no país inteiro. Foram mais de dois dias de pauleira, ofensas, textos agressivos, todos eles atingindo o competente político rondoniense abaixo da linha da cintura. Pouco depois, Confúcio tirou o texto do ar. Foi censurado pela fúria dos bolsonaristas. Esses mesmos que se dizem contra a censura.

NÚMEROS DA COVID: AGORA SÃO 940 MORTES

A noite de sábado chegou com novos números dos casos de coronavírus no Estado, sem grandes novidades, embora se tenha que lamentar mais seis mortes em apenas 24 horas, uma apenas na Capital, comparando-se com, a sexta. Chegamos agora a 940 vidas que se foram, em todo o Estado, sendo 580, ou 61,7 por cento em Porto Velho. O total de casos de aproxima dos 44 mil, com novos 476 contaminados em todo o Estado. Desse número, 218 foram registrados na principal cidade rondoniense. Os recuperados são um dado importante. Do total dos atingidos pela doença, 36.555 superaram o vírus. O número de casos chamados ativos, até a noite do sábado, era de 6.571 pessoas ainda com a Covid, representando cerca de 15 por cento do total dos atingidos pela doença. Também é positivo o número de testes já realizados no Estado: 136 284, proporcionalmente à população, um dos maiores índices do país. Nessa semana que está terminando, o número de infectados e mortos diminuiu bastante na Capital, mas, por outro lado, aumentou em várias cidades do interior. A doença, que começou fraca em março e foi piorando, chega ao seu sétimo mês, com mais de 100 mil brasileiros mortos.

CINCO OPERAÇÕES POLICIAIS EM 15 DIAS

O que está acontecendo em Rondônia na área policial, está mesmo fora da normalidade? Em menos de 15 dias, tivemos cinco grandes operações policiais, três delas realizadas pela Polícia Civil e uma pela Polícia Federal. O que está acontecendo, afinal, nessas terras de Rondon e em plena Pandemia A primeira delas foi da Federal, investigando eventuais irregularidades do contrato de compra de testes rápidos pela Secretaria de Saúde. Depois, estourou a bomba que envolve acusação de licitação ilegal feita pela Polícia Militar do Estado, para compra de equipamentos de tecnologia. Um oficial foi preso e o caso está sendo ainda investigado. Nessa semana que está terminando, outras três grandes ações foram realizadas. A primeira delas pela PF, em Rolim de Moura e outras cidades, contra empresas do ramo de café, que teriam deixado de pagar mais de 95 milhões de reais em tributos federais.

MULHERES SÃO MAIORIA NAS FACÇÕES?

O trabalho policial não parou por aí. Quando o rondoniense sequer havia se recuperado de tantas denúncias, incluindo altas autoridades, investigadas na operação da Federal sobre o não pagamento de tributos, dois dias depois, foi a Polícia Civil, de novo, quem agiu. Ela desarticulou uma grande quadrilha de mais de 70 pessoas, ligadas à facções criminosas que queriam transformar o conjunto Orgulho do Madeira em seu reduto de crimes. O assustador nesse caso, além do enorme número de pessoas envolvidas; da apreensão de várias armas, algumas de grosso calibre, foi que a maioria das pessoas presas era de mulheres. Elas estavam também preparando armas, celulares e carregadores para mandar para dentro dos presídios, onde muitos líderes das facções cumprem pena e de onde comandam o crime do lado de fora.  E a sexta-feira encerrou com uma quinta operação da Civil. Essa atingiu servidores de uma das instituições bancárias mais respeitadas do país. Dessa vez, a ação fez prisões e investiga denúncias de que funcionários do Banco do Brasil estariam em conluio com golpistas no desvio de dinheiro de heranças. O que virá nessa semana que começa?

MARCELE É A PREFERIDA, MAS BOLSONARO DECIDE

Para quem conhece um pouco da política interna da Universidade Federal de Rondônia, a Unir, não foi surpresa alguma a vitória da professora Marcele Pereira para ocupar a reitoria da instituição, a partir de novembro, quando se encerra o segundo mandato do professor Ari Ott, aliás, um período em que a Universidade avançou muito e teve um dos grandes momentos da sua história. Museóloga do departamento de arqueologia da Unir, Marcele é formada pela Universidade de Lisboa e com diploma de doutora devidamente reconhecido e revalidado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde o começo da disputa, ela aparecia como preferida de todo o mundo acadêmico com direito a voto. Ficou com 48 por cento do total dos votos, enquanto o segundo colocado, o professor Marcelo Vetotti foi o segundo, com 31 por cento. Delson Xavier ficou com 12 por cento. Concorreram ainda José Ferrari e Cláudio Santini. Mesmo com a vitória fácil, Marcele ainda depende de um voto decisivo para ser oficializada como nova reitora: o do presidente Jair Bolsonaro, que tem o poder de escolher um dos três primeiros colocados. Não há data para o anúncio oficial da decisão presidencial.

HILDON DEVE ANUNCIAR QUE NÃO CONCORRE

O dia ainda não está decidido. Mas nessa próxima semana, a assessoria do prefeito Hildon Chaves garante que ele anunciará sua decisão se vai ou não disputar a reeleição. Hildon vai convocar a imprensa para uma entrevista coletiva, quando deverá dizer (a menos que haja uma grande surpresa, totalmente inesperada, a essa altura dos acontecimentos), que não vai participar do processo sucessório na Capital nem como candidato e que não apoiará nenhum nome, ao menos no primeiro turno. Mesmo pressionado de todos os lados por eleitores, amigos, parceiros e principalmente por gente que compõe sua equipe de administração e, ainda, mesmo que esteja fazendo um governo de inúmeras realizações, principalmente nessa reta final, o que lhe daria cacife para buscar mais um mandato, o Prefeito vai dizer que é contra a reeleição (defende um mandato único de cinco anos) e que só voltará a pensar em política em 2022. Dai, certamente será candidato. Pode ser ao Governo do Estado, dependendo do quadro ou ao Congresso Nacional.  Sem o Prefeito (repita-se: só se houver alguma mudança extremamente grave e inesperada, ele concorrerá), o quadro da sucessão em Porto Velho muda completamente.

MINISTRA DAMARES FALA EM NOVO MANDATO PARA THIAGO

Caso semelhante, mas provavelmente com final diferente, acontece em Ariquemes. Lá, o prefeito Thiago Flores já havia anunciado sua desistência de ir à reeleição. Estava tudo montado para que o palanque fosse composto por outros nomes, menos do atual e competente jovem Prefeito. Um dos motivos da decisão é que ele será pai pela primeira vez e queria ter mais tempo para curtir a família, pelo menos até 2022, quando então se envolveria novamente com a corrida das urnas. O quadro começou a mudar quando Thiago começou a receber apelos de parceiros, amigos, eleitores e de toda a gente comum da sua comunidade. Começou a repensar. O que mais o balançou, contudo, foi um apelo feito publicamente pelo governador Marcos Rocha que, ao visitar a cidade, numa entrevista que ambos davam a uma emissora, disse que seria muito bem para Ariquemes se Thiago fosse novamente Prefeito. Além de elogiar o trabalho do Prefeito, Rocha afirmou que “quatro anos é pouco tempo para se fazer tudo o que se pode fazer”. Nessa semana, outro apelo fez o Prefeito praticamente decidir que será candidato. Ele veio da ministra Damares Alves, quando entregou um prêmio a Thiago Flores, por Ariquemes ser uma das cinco campeãs brasileiras em programas que beneficiam jovens. Uma das mais conhecidas personagens do governo federal, Damares também pediu ao prefeito de Ariquemes que busque mais um mandato.

QUEIMADAS IRRESPONSÁVEIS VOLTAM COM TUDO   

As queimadas voltaram. E voltaram com tudo. Vários pontos da Capital e nos distritos, o fogo se alastra por várias áreas, mesmo com todas as campanhas do Governo do Estado, da Prefeitura, dos Corpo de Bombeiros. Nesse momento de pandemia, em que respirar é complicado para muita gente, a fumaça é um ingrediente a mais no terror do que vive o rondoniense e o porto velhense. Dias atrás, um grande foco foi detectado próxima ao Espaço Alternativo, numa área cercada e de propriedade da Base Aérea. Nessa sexta-feira, foi a vez do Parque da Cidade, nos fundos do Shopping, ser atingido em cheio. Há informações dos bombeiros que as chamas atingiram perto de 30 por cento de toda a área do parque. Vários caminhões foram deslocados para o local, que jogou sobre parte da cidade uma fumaça observada de várias regiões da Capital. Graças à  rápida intervenção, sempre eficiente, do Corpo de Bombeiros, o fogo não causou outros danos e não chegou até a área do Porto Velho Shopping. O fogo começou na Pinheiro Machado, onde moradores costumam colocar fogo no lixo e se estendeu até a Calama. Desrespeito, falta de cuidado, falta de sensibilidade para com pessoas que têm doenças respiratórias, tudo isso se soma nas queimadas ilegais. Perigo geral.

PERGUNTINHA

O início do Campeonato Brasileiro deste ano, sem torcida e com jogos ruins, depois de quase quatro meses de paralisação do futebol, empolgou ou ainda está longe das emoções dos anos passados?

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