Artigo editado em: 05/10/2026
Ah, as urnas! Elas mostram a verdade, ignoram palpites; não dão bola para pesquisas fajutas; trazem a crueza dos números e da vontade do eleitor. Os pitacos (incluindo os deste blogueiro!) não servem para nada, quando elas se abrem.
No final da tarde do domingo eles trouxeram mais de meio milhão de votos para Marcos Rogério, nosso governador que assume em 7 de janeiro. Antes do anoitecer, elas mostram a força do bolsonarismo em Rondônia, elegendo dois senadores (Fernando Máximo e Bruno Scheid, este o maior dos bolsonaristas!) e trazendo a maior votação individual da história para um deputado federal, também super alinhado com a direita, o defensor do agronegócio, Lúcio Mosquini.
Antes que o sol desaparecesse, elas mostraram uma bancada federal toda de direita, incluindo a representante do PSD, Joliane Fúria, que sempre se declarou bolsonarista. Mostrou outra com discurso neste viés, a agora deputada federal Sofia Andrade e reconduziu outra mulher de valor, Cristiane Lopes, aquela que disse que tinha vergonha de ter Marina Silva como ministra, no governo que contestou o tempo todo. Reelegeu também o Coronel Chrisóstomo que, ao lado da sua foto e dados pessoais da Identidade, deve mandar escrever “Bolsonaro de Carteirinha”.
Quando a noite chegou, Rondônia viu o PL eleger sete deputados e os demais partidos, a maioria de direita, elegerem a ampla maioria na Assembleia Legislativa. A esquerda elegeu apenas duas mulheres: Cláudia de Jesus e Fátima Cleide. Ao lado de Luciana Oliveira, que disputou o Senado e fez mais de 96 mil votos e ficou em quinto lugar. No mais, a esquerda sumiu no Estado.
Já era noite alta, quando ficou claro o poder eleitoral, a popularidade e a influência do prefeito da Capital, Léo Moraes, no resultado da eleição do Domingo. Além de eleger o irmão, Paulo Moraes, com mais de 23 mil votos, sem dúvida os quase 48 por cento dos votos conquistados por Marcos Rogério na Capita, tiveram o dedo do Prefeito. Dos dois candidatos ao Senado que apoiou, elegeu Fernando Máximo.
Léo ainda ajudou a eleger seu ex-secretário de saúde, Jaime Gazola e sua néo parceira política, Cristiane Lopes, colocando dois representantes do Podemos na Câmara Federal.
Marcos Rogério foi o grande vencedor, mas no pacote de vitoriosos, ignorar o nome de Léo seria não entender nada do que aconteceu nas urnas, na Capital.



FÚRIA FEZ UMA CAMPANHA SOLITÁRIA, IMAGINANDO QUE SEM GRUPO PODERIA GANHAR O GOVERNO
Há que se analisar o desempenho de dois dos candidatos considerados com chances reais, na eleição ao Governo, mas que ficaram pelo caminho. O primeiro deles é Adailton Fúria, que fez uma campanha muito abaixo do que se esperava, cometendo erros graves e alguns inacreditáveis, para quem sonhava em substituir Marcos Rocha. O outro é Hildon Chaves.

Fúria se auto superestimou o tempo todo. Achou que seria uma espécie de Ivo Cassol, o retorno. Acreditou que poderia ganhar uma eleição deste porte praticamente sozinho, usando apenas seus discurso (que é bom!) e mostrando suas realizações como Prefeito em Cacoal.
Ora, deveria ter olhado para o lado, onde seu principal adversário, Marcos Rogério, nunca falava “eu”, mas sempre “nós”!. Rogério teve modéstia e moderação, mas acima de tudo teve inteligência para entender que não ganharia nada sozinho. Fúria não.
O jovem ex-prefeito de Cacoal fez uma campanha praticamente solitária, acompanhado sempre por sua esposa, Joliane. Não se via, na sua comitiva, candidatos nem ao Senado, nem à Câmara, nem à Assembleia. Não compartilhou os recursos financeiros da campanha com seu grupo. Foi perdendo apoios desde o início da caminhada.
Por fim, dois pecados mortais: não deu à Capital a importância que deveria ter dado, com sua presença constante e, ainda, não soube aproveitar o nome do seu vice, Everton Leoni, personagem muito querido em Porto Velho. Perdeu feio por tudo isso!



HILDON NÃO REPETIU PERFORMANCES ANTERIORES E FOI DERROTADO PELO INTERIOR
E Hildon Chaves? Sua performance nesta eleição foi muito abaixo dos seus melhores momentos, quando era uma surpresa nos debates, sempre com tiradas criativas e surpreendentes, que o ajudavam a crescer perante o eleitorado. Afora isso, mesmo com um vice muito bom do interior (Cirone Deiró) o ex-prefeito da Capital esteve longe de se tornar conhecido na maioria das cidades rondonienses.

Hildon teve problemas na campanha e principalmente nos debates em que participou. E isso foi preponderante para que não deslanchasse. Teve dificuldade, em alguns momentos, a desenvolver seu raciocínio. Perdeu-se eventualmente. Mostrou que estava ali, diante do eleitorado, um outro Hildon Chaves. Não aquele vibrante e com tiradas rápidas e respostas inteligentes. Mas um candidato que está enfrentando algum tipo de dificuldade.
Mesmo assim, sua performance na maior cidade do Estado, em que governou por oito anos com resultados bastante positivos, foi bastante razoável. Mesmo tendo contra si a nova administração municipal e um prefeito que hoje é seu opositor, Hildon teve mais de 30 por cento dos votos válidos na Capital. A tal ponto que, durante longo tempo da apuração, enquanto as urnas de Porto Velho eram abertas, ele assumiu o segundo lugar, deixando Fúria bem atrás.
Quando começaram a chegar os números do interior, dentro do que se previa, a votação de Hildon Chaves foi caindo, até que ele ficasse, no final, em terceiro lugar, com 55 mil votos a menos do que Fúria.
Outra má notícia, foi a não reeleição da esposa dele, a deputada Ieda Chaves, que mesmo tendo conquistado quase 12 mil votos, perdeu sua cadeira.



VOTAÇÃO DE FERNANDO MÁXIMO FOI MAIOR DO QUE A DE MARCOS ROGÉRIO, ELEITO GOVERNADOR NO PRIMEIRO TURNO
Como explicar que um candidato ao Senado tenha feito mais votos do que o Governador eleito no primeiro turno em Rondônia? Marcos Rogério chega ao poder e assume em janeiro, depois de tocar corações e mentes de nada menos do que 537.370 eleitores. O senador eleito, mais votado, Fernando Máximo, totalizou 570.799 votos.

Como compreender que um empresário do agronegócio, há poucos anos conhecido apenas num pequeno círculo, conseguiu 474.226 votos, como o fez ji-paranaense e bolsonarista Bruno Scheid, amigo pessoal de Jair Bolsonaro e de sua família?
Fernando Máximo tem uma história na política. Antes dela, já era conhecido por estar constantemente na mídia, falando sobre saúde, medicina, cuidados. Participou, inclusive, por quase cinco anos, do programa Papo de Redação, dos Dinossauros (Rádio Parecis FM) onde tornou-se conhecido em todo o Estado. Dali, saltou para secretaria de saúde, onde se destacou principalmente na guerra contra a pandemia da Covid. Da Sesau a deputado federal mais votado em 2022, foi um salto.
E Scheid? Ele se aproximou dos Bolsonaro, inclusive participando da segurança pessoal do ex-Presidente. O acompanhou por todo o país. Ficou amigo e depois íntimo da família. Assistiu, estarrecido, a todas as injustiças sofridas. Até que Jair Bolsonaro, antes da condenação, o escolheu como seu nome de confiança para disputar o Senado.
A partir de janeiro, Rondônia terá três senadores de direita, bolsonaristas, antipetistas. Um deles ainda tem um mandato de quatro anos (Jaime Bagattoli). Os outros dois foram eleitos com votações espetaculares. Fernando Máximo e Bruno Scheid querem fazer história no Senado.



AS CASSANDRAS QUE DECRETARAM A MORTE DO BOLSONARISMO SE DERAM MAL: OS ELEITOS FORMAM UMA AMPLA MAIORIA
Houve que, durante a campanha, tivesse decretado uma espécie de morte política do bolsonarismo. “Ah, o Bolsonaro já não tem peso como teve em outras eleições!”, diziam alguns. O que se viu foi outra lição das urnas, elas sim, que contam a verdade: foi um domínio total da direita e com a eleição dos que usufruíram do nome, da fama e da popularidade do Capitão, hoje injustamente preso.

Além do próprio filho, Flávio, que teve no Estado mais de 67 por cento dos votos, contra menos de 26 por cento de Lula, os bolsonaristas, de direita ou conservadores, elegeram oito deputados federais pelo menos 20 dos 24 deputados federais.
Na Câmara Federal, reelegeram Lucio Mosquini, Coronel Chrisóstomo, Thiago Flores, Cristiane Lopes e Maurício Carvalho. E elegeram ainda Jaime Gazola (que é de direita), Joliane Fúria e a mais direitista de todas, Sofia Andrade. A exceção pode ser Jaime, cujo apoio do prefeito Léo Moraes foi certamente mais importante do que o bolsonarismo.
Na Assembleia Legislativa, a bancada do PL de Marcos Rogério será a maior, com sete cadeiras: Nim Barroso, Lucas Torres, Jean Mendonça, Luizinho Goebel, Dra. Taíssa Sousa, Alan Queiroz e Wiveslando Neiva. Dos partidos considerados de direita ou conservadores, ainda foram eleitos Ismael Crispin (PP); Edevaldo Neves, do PRD; Luis do Hospital, do Novo; Pedro Fernandes, PRD; Alex Redano, Republicanos; Delegado Arismar Araújo, do PP; dr. Gilbert, do Novo. Há vários outros, como Laerte Gomes, o mais votado pela segunda vez, que obviamente sempre vota em pautas conservadoras.



CAMPEÃO DE VOTOS PARA A CÂMARA EM TODA A HISTÓRIA DE RONDÔNIA, SONHO DE MOSQUINI É UM DIA GOVERNAR RONDÔNIA
Há um fenômeno registrado na eleição de Rondônia que precisa ser estudado e, certamente o será, daqui para a frente. O quarto mandato de Lúcio Mosquini o colocou na história de Rondônia, reeleito com mais de 158 mil votos. Foram 56 mil votos a mais que o recorde anterior, de 102, que era da ex-deputada Marinha Raupp, em meados dos anos 2.000.

Quem é este parlamentar? Com 57 anos e já se preparando para ocupar pela quarta vez uma cadeira no Congresso Nacional, Mosquini é de Jaru e de lá surgiu para a política. Foi diretor do DER e de lá saltou para uma carreira política vitoriosa. Na sexta-feira anterior à eleição, este blogueiro comentou com o deputado, que ele seria o mais votado em Rondônia. “Recebo”, disse ao amigo.
A previsão deste escriba era de que Mosquini poderia bater nos 70 mil votos, principalmente por seu trabalho diuturno e intransigente em defesa dos pequenos produtores e do agronegócio. Obviamente que ninguém imaginava que ele chegaria a mais de 158 mil votos, conseguidos em todos os 52 municípios do Estado.
No final da votação, no clã dos Mosquini e dos seus apoiadores, os sentimentos eram de enorme alegria, mas, ao mesmo tempo, de incredulidade. Vídeos que bombaram nas redes sociais, mostraram o deputado chorando compulsivamente, abraçado à esposa e filhos. Ao mesmo tempo em que comemorava o feito, Mosquini deixava claro que jamais esperava chegar a um patamar tão extraordinário de votos.
Enfim, ele se torna um nome forte para qualquer futura pretensão. Há pelo menos dois anos, ele confessou a um amigo próximo: “ainda vou ser Governador de Rondônia!”. Do alto da extraordinária votação, este futuro não pode ser descartado.



GOVERNO NÃO ELEGEU NINGUÉM ENTRE OS SECRETÁRIOS QUE DISPUTARAM A ELEIÇÃO DO DOMINGO

No final da apuração do domingo, ficou claro que o atual governo, sem a participação direta do próprio Governador, não conseguiu eleger um só dos seus candidatos. A começar pelo concorrente ao Senado, Luís Fernando, o único que teve apoio direto do Governador, teve menos do que 24 mil votos, ficando na última colocação, atrás inclusive de Neidinha Suruí, do PSB, que teve mais de 25 mil.
Os dois senadores eleitos, hoje, não são aliados ao Governo, embora, ambos, tenham participado dele em algum momento. Fernando Máximo foi trazido para o mundo da política por Marcos Rocha e foi seu secretário de saúde, de onde saltou para ser o mais votado na última eleição à Câmara e, agora, já distanciado do governo, o mais votado para o Senado. O outro, Bruno Scheid, também ocupou posto de segundo escalão no início do atual Governo, mas rompeu pouco depois.
Entre os nomes apoiados para a Câmara Federal, a melhor performance foi da ex-deputada Jaqueline Cassol. Ela teve 11.700 votos, mas não conseguiu se eleger. O último secretário da saúde, Coronel Jefferson, conseguiu apenas 5.605 votos.
Para deputado estadual, embora alguns dos eleitos tivessem sido da base do governo, o ex-secretário de segurança, Coronel Vital, teve apenas 2.556 votos.
Já o vice-governador Sérgio Gonçalves, também não teve sorte nos seus apoios, embora tenha declarado voto no governador eleito, Marcos Rogério e na presidenciável Flávio Bolsonaro, que foi ao segundo turno. Sérgio apoiou o Pastor Valadares, para deputado federal e o dr. Benedito Alves, para estadual. Ambos não se elegeram.



FLÁVIO DOMINA O VOTO DE RONDÔNIA. SEGUNDO TURNO PARA PRESIDENTE SERÁ NO PRÓXIMO DIA 25
A Rondônia bolsonarista deixou claro: se dependesse dela, o segundo turno da eleição não iria acontecer. Por aqui, Flávio Bolsonaro teve quase 653 mil votos, enquanto Lula chegou a mais de 250 mil. O bolsonarismo em nível local e nacional deu um salto, elegendo alguns dos recordistas de votos, como Níkolas Ferreira, que bateu nos 3 milhões de votos.

No Domingo, na maior parte da apuração, Flávio havia superado os 50 por cento, ou seja, estava ganhando a eleição no primeiro turno. No decorrer da contagem de votos, quando as urnas de alguns estados do Nordeste começaram a entrar, a diferença com Lula foi diminuindo. Mesmo assim, Flávio teve mais de 3 milhões de votos a mais que seu adversário.
O que pode acontecer agora? As possibilidades maiores, obviamente, são de que o filho de Jair Bolsonaro tenha uma vitória histórica. Tudo levar a crer que, pela tendência nacional de grande vitória da direita e a derrota fragorosa da maioria dos esquerdistas Brasil afora, o resultado não poderá ser outro.
Contudo, a decisão pode não passar pelo voto da população. Alguns ministros da Suprema Corte e do TSE, já deram indícios que podem tomar decisões em que o voto popular se torne secundário. Tomara que isso não ocorra, até porque a alternância do poder oxigena a verdadeira democracia.
O segundo turno da eleição é em 25 deste mês (em 20 dias) e só então o Brasil saberá como será nosso futuro!



PETISTAS HISTÓRICOS CAÍRAM FORA DO CONGRESSO, MAS PARTIDO AUMENTOU CADEIRAS NA CÂMARA FEDERAL
Gleisi Hofmann, Marina Silva, José Dirceu, Rui Falcão, Simone Tebet, Benedita da Silva, Tábata Amaral, Randolfe Rodrigues, Leila do Vôlei, Soraya Tronicke, Manuela D´Ávila, Fernando Haddad. Uma dúzia de nomes sempre adorados pelos esquerdistas e com a ojeriza da direita e dos conservadores, forma apenas algumas das personalidades que militaram anos a fio no poder, no Congresso e no Senado e que, afora, foram defenestrados pelas urnas.

Há ainda outros, como Patrus Ananias; Paulo Pimenta, Erika Kokay, Jorge Viana, Renan Calheiros. Sobreviveram muito poucos entre os esquerdistas que a direita quer ver pelas costas. Dois deles, em especial: Lindberg Farias, reeleito no Rio de Janeiro e André Janones, em Minas. Janones perdeu mais de 160 mil votos em relação à última eleição, mas mesmo assim conseguiu mais um mandato.
Mesmo tendo perdido nomes tradicionais, os petistas na verdade aumentaram sua bancada na Câmara, junto com outros partidos de esquerda, Eles são 64 até agora e, a partir de janeiro, terão seis cadeiras a mais, chegando a 70.
Se o cérebro do petismo, Zé Dirceu não conseguiu se eleger, seu filho, Zeca Dirceu, conseguiu mais um mandato. Outra grande inimiga do bolsonarismo, a gaúcha Maria do Rosário, também conseguiu manter sua cadeira.
O partido, contudo, não conseguiu um só deputado em sete Estados. Além de Rondônia, não há petistas eleitos para a Câmara Federal no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Roraima e Tocantins.



PERGUNTINHA

Na sua opinião, a direita vai conseguir voltar à Presidência com um Bolsonaro ou a esquerda vai reagir e recolocar Lula no poder, para um quarto mandato, no segundo turno da eleição, no próximo dia 25?


